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16 de abril de 2008

BIOGRAFIA - MADNESS

Hey You!Don't watch that watch this...

A origem do Madness data do ano de 1976, com um grupo de ska chamado Invaders, da cidade de Camden, Inglaterra. Seus integrantes eram Mike Barson, Chris Foreman e Lee Thompson. Após dois anos de shows e tendo poucos e violentos skinheads como fãs, o grupo resolveu mudar de nome e roupagem. Surge então o grupo "Morris and the Minors" e ganham alguns integrantes: Graham "Suggs" McPherson, Mark Bedford, Carl “Chas Smash” Smyth e Daniel Woodgate. No final do ano mudam o nome para Madness, uma homenagem a uma canção de Prince Buster, um dos ídolos dos moleques.

Em 1979, resolvem lançar pelo Two-Tone, seu primeiro single, "The Prince", outra homenagem a Buster. A canção torna-se um grande sucesso, ficando entre as 20 mais da parada britânica e rapidamente são contratados pela Stiff Records, mesma casa de Elvis Costello, que resolvem colocar rapidamente o grupo em estúdio. Em outubro é lançado One Step Beyond, que alcançou a segunda posição nas paradas dos mais vendidos. A faixa-título impulsiona as vendas e chega ao sétimo posto das paradas. O grupo promove uma mistura de ska com rock, nos mesmos moldes do Specials e seu som é batizado de "nutty sound", por incorporar também influências do soul, funk e jazz e bandas britânicas dos anos 60, além das caretas e da grande descontração que viraram marca registrada de suas apresentações. "One Step Beyond", virou um dos maiores hinos do grupo.

E a febre aumentou ainda mais quando "My Girl" chegou ao terceiro posto da parada, superando os dois compactos anteriores. A canção foi a segunda de uma impressionante seqüência entre os Top 10 da parada britânica, o que tornou o grupo amado por pessoas de todas as faixas sociais e idades. Se algum grupo mereceu o apelido de "banda do povo", nos anos 80, essa banda foi o Madness.

Aproveitando o sucesso, o grupo lança em março de 1980 o EP Work Rest and Play, que chegou ao sexto lugar das paradas, graças ao sucesso de "Night Boat on Cairo". E Suggs era uma das razões para o sucesso do grupo. Esse jovem viciado em futebol (é fã doente do Chelsea) e que tirou seu apelido de um livro sobre jazz, era um garoto que já tinha passado por pequenas e obscuras bandas que tocavam o ritmo imortalizado por Charlie Parker e Miles Davis, quando entrou para o Morris and the Minors. Com mais de 1,90 m de altura e irreverente no palco, além de uma voz marcante, Suggs virou uma figura pública e carismática. Mesmo sem querer, Suggs virou a cara oficial do Madness.






Em setembro de 1980, é lançado o disco Absolutely, ficando em 2º lugar na Inglaterra. Absolutely contém grandes momentos, como "Baggy Trousers", que havia sido lançado como single no mesmo mês, batendo na terceira posição e se tornando uma das canções mais famosas do grupo, senão a mais conhecida. Nesse ano promovem uma gigantesca turnê por toda Europa, tocando pela primeira vez na Itália, Holanda e outros lugares. Apesar do enorme sucesso, o grupo confessava que a rotina febril deixava à todos extenuados: "Em dias de shows, nós trabalhamos quase 20 horas, um ritmo alucinante. Além disso, as constantes viagens de um lado para o outro e indo de um lugar quente para cidades geladas, acaba diminuindo nossa resistência. É uma vida dura, mas muito divertida", contou Suggs, em uma entrevista durante a excursão européia.

Mas descanso não era com o grupo, e os próprios integrantes odiavam não ter nada para fazer, preferindo ensaiar, compor canções ou mesmo entrar em estúdio. Tamanha fome fez o Madness emplacar uma série de singles e um novo LP (Seven) nas prateleiras e paradas de sucessos. O disco ficou em sétimo lugar entre os mais vendidos e rendeu mais sucessos. E o grupo jura que o modesto sucesso da canção "Cardiac Arrest", que ficou apenas em 14º lugar foi devido ao boicote de algumas emissoras. Mas o sucesso seria muito maior quando "House of Fun" alcançou o primeiro lugar nas paradas, antecedendo a primeira coletânea da banda, Complete Madness.

Em 1982 lançam um novo disco que é considerado entre muitos amantes do grupo como sua obra-prima: The Rise and Fall. O disco, que foi lançado em novembro, alcançou a décima posição na parada e fez com que a banda conseguisse uma nova casa, na América, a Geffen. E tudo isso por uma canção que virou o único hit por lá e que foi massivamente veiculada na então novata MTV: "Our House". O sucesso foi tão grande que a Geffen mais do que rapidamente lançou uma coletânea do grupo apenas com o nome da banda, em 1983, tentando aproveitar o bom momento.


Mas se 1983 prometia ser o ano do Madness nos Estados Unidos, o grupo ficou tremendamente abalado com a notícia de que o tecladista Mike Barson, principal compositor da banda, estava deixando a carreira para cuidar mais de sua vida pessoal, e, em especial, do seu casamento, tão abalado com a vida frenética do músico. A saída de Mike, coincidentemente ou não, marca o fim da fase de ouro da banda, já que sem ele, nunca mais emplacariam uma canção entre as 10 mais. Suggs lembra que quando Barson avisou que sairia, ninguém acreditou e que quando descobriram que ele estava falando a verdade, uma espécie de pânico tomou conta de todos: "Mike era nosso principal compositor e um das mais pessoas mais alegres que conheci. Quando ele deixou o Madness senti que nunca mais seríamos o mesmo."

Mesmo com um desfalque tão grande o grupo continuou em frente e lançou em 1984 um novo disco chamado Keep Moving. O título do disco (continue em movimento) dá a clara noção do que o grupo desesperadamente tentava fazer. A grande canção do disco era "Michael Caine", referência ao famoso ator britânico, ganhador de dois Oscars e que participa na canção dizendo a frase "I am Michael Caine". Apesar de boas vendagens, o trabalho sepultou o final do acordo entre a banda e a Stiff Records, já que a banda resolveu lançar seu próprio selo, Zarjazz.

O primeiro lançamento pela nova casa foi o single "Yesterday's Men", em agosto de 1985, uma balada classuda, com uma letra amarga e um arranjo muito puxado para o jazz. O single teve uma colocação modesta na parada inglesa, alcançando apenas a 16ª posição. Em setembro, sai Mad Not Mad, onde já se podia notar pelas fotos da capa e da contra-capa que a alegria tinha sumido. O Madness fez um bom disco, mas longe da inspiração dos antigos. O resultado acabou sendo sentido e percebido com a pequena vendagem. A química já não era mais a mesma e após um primeiro semestre de 1986 totalmente sumidos de cena, o grupo anuncia no dia 4 de setembro que a banda chegava ao seu final.

Em 1988, para surpresa de muitos, surge um single no mercado ("I Pronunce You") do grupo The Madness. O grupo era formado por quatro integrantes do Madness original (Suggs, Carl Smyth, Chris Foreman e Lee Thompson), tendo a colaboração do lendário Jerry Damers (ex-Specials) nos teclados, além de dois integrantes dos Attractions, banda que tocava com Elvis Costello: Steve Nieve (também teclados) e Bruce Thomas (baixo). Mas após o fiasco do single, o grupo sumiu sem deixar traços.

O grupo entrou em uma longa hibernação até uma volta inesperada em 1992, para duas apresentações no Finsbury Park, em Londres, na primeira edição do Madstock, que saiu em cd pela pequena gravadora Go Discs!, a mesma de Billy Bragg. O festival durou quatro anos e, em todos eles, o grupo se reunia e era a principal atração do evento. Mas as reuniões eram esporádicas e todos tinham seus projetos. O mais bem sucedido foi Suggs, que emplacou uma boa carreira solo e virou até apresentador de um programa de televisão no Canal 5, chamado Night Fever.

Após a última apresentação do grupo em 1996, no Madstock, avisaram que não voltariam mais a se reunir, mas eles voltaram, sim, dois anos depois para uma volta em grande estilo e com a formação original. Lançam um novo single, "Lovestruck", que chega ao décimo lugar nas paradas e fazem planos para um novo disco, contando com os produtores de todos os discos anteriores do grupo, Clive Langer e Alan Winstanley. Lançam apenas outro single, "Johnny the Horse" e uma coletânea contendo todos os seis discos do grupo chamada The Lot.

Começam uma nova excursão pelo mundo no Natal daquele ano. A "Maddest Show on Earth Tour" sai em carreata pelo mundo e no dia 16 de junho, fizeram uma aparição em um concerto tributo à Ian Dury, velho amigo e ídolo do pessoal, que havia falecido no dia 27 de março daquele ano, após lutar por quase cinco anos contra um câncer. O concerto foi realizado no Brixton Academy, em Londres. Em 2002 Smyth lança o hino da seleção inglesa que disputaria a Copa do Mundo no Japão e na Coréia do Sul, "We're Coming Over", e em outubro o grupo estréia um musical chamado "Our House". O grupo continuou excursionando ainda em 2003 e alguns poucos shows em 2004.

Durante todos esse anos, a banda manteve um alto nível em suas composições e em suas relações com o público. Eles foram umas grandes bandas que souberam misturar humor, política, diversão e muitas melodias inesquecíveis e serem adoradas por pessoas de todas as faixas etárias e sociais.

Fonte: Página da Beatrix


11 de abril de 2008

BIOGRAFIA - LEE PERRY (Parte II)

Com as atenções do mundo voltadas para a Jamaica por conta do sucesso de Bob Marley, era natural que a música de Lee Perry se destacasse, levando-o à vôos internacionais. A Island Records assinou com ele um contrato de distribuição, e seu estilo acabou chamando a atenção de figuras como Paul McCartney e o Clash, que inclusive regravaria no seu primeiro disco a clássica 'Police and Thieves. Pra manter a tradição ele acabou rompendo com Chris Blackwell, chefe da gravadora, à quem também fez acusações através de suas músicas.

Lee Perry viveu esse período trancado no estúdio na maior parte do tempo, às voltas com intemináveis sessões de gravação regadas à álcool e ganja em profusão. As pressões da notoriedade começaram a ficar cada vez mais pesadas, com dezenas de dreads freqüentando a sua casa em busca de uma oportunidade de gravação ou de dinheiro (ele chegou a ser extorquido por traficantes e outros bandidos da ilha). Tudo isso, somado ao fato de suas inovadoras produções não estarem dando o retorno financeiro esperado (além de uma certa hesitação da Island em lançar os trabalhos mais experimentais), levou-o a sofrer uma séria crise nervosa, que o fez expulsar a pauladas todos os estranhos de sua casa. A partir de então ele foi abandonando aos poucos a produção no Black Ark. Após uma frustrada tentativa de retomar o estúdio, um incêndio que muitos dizem ter sido ateado por ele mesmo (embora a famiília negue), em 1983, enterrou para sempre a história da Arca Negra. Desde então muito se falou em reerguê-lo, mas nada de concreto foi realmente realizado para tanto.

Depois do incêndio, Perry acabou sendo abandonado por sua companheira, Pauline Morrison, cansada do seu estilo de vida. O acontecimento significou uma ruptura radical com o passado, onde ele resolveu não gravar mais com seus companheiros jamaicanos (principalmente os que usavam dreadlocks, uma implicância que iria durar por muito tempo), marcando o início de uma fase em que ele passou a ter um comportamento cada vez mais excêntrico.
Recebia jornalistas agindo de maneira estranha, em meio às ruínas do estúdio, totalmente cobertas de graffitis e outras pinturas, sempre com um discurso meio fora de órbita, poético, como um orador tresloucado e muito bem informado. Por essas e outras, ficou com fama de louco.
Perry passaria os anos seguintes errando entre a Europa e a Jamaica, chegando a morar em Londres por alguns anos. Nessa época participou de muitas produções, mas apenas algumas resultaram em álbuns acabados, mesmo assim de qualidade variável. Uma de suas decisões nessa época foi dar prioridade à auto-produção, embora de vez em quando aceitasse trabalhar para outros artistas.


Em 1987 aconteceu finalmente o retorno definitivo do gênio aos seus melhores dias. Trabalhando em conjunto com o produtor inglês Adrian Sherwood e a banda Dub Syndicate (cujo núcleo era formado pelos integrantes da banda Roots Radics), Perry lançaria o clássico 'Time Boom X De Devil Dead', muito mais do que uma obra-prima, foi a sua volta à cena em grande estilo, embora ele pouco tenha contribuído para dar forma à base instrumental deste disco (mas suas letras geniais e performance inspirada no vocal já bastaram). Na seqüência se seguiram outros excelentes lançamentos, como "From the Secret Laboratory", bem como várias reedições de suas agora lendárias produções dos anos 70, como a já citada "Open the Gate".

Depois de todas as atribulações de sua vida pessoal, que também foi bastante intensa (tem pelo menos seis filhos com várias mulheres), encontrou um refúgio seguro na Suíça, junto com sua nova esposa, Mireille Perry. Assim, Lee 'Scratch' Perry se mantém como um dos nomes mais importantes e decisivos na história do Reggae.

As produções realizadas nos últimos 15 anos fizeram com sua carreira como showman decolasse. O rei louco do reggae é hoje um artista muito solicitado para shows ao redor do planeta, quase sempre junto com outro produtor de grande talento: Mad Professor (nome que parece ter sido inspirado em Perry), com quem gravou vários álbuns nos últimos tempos.

Lee "Scratch" Perry continua a reinar soberano nos palcos e estúdios, cumprindo uma trajetória atribulada, mas vitoriosa. Depois de algum tempo longe da ilha natal, parece estar recebendo o reconhecimento devido de seus conterrâneos, pois recebeu, em agosto de 2002, o Lifetime Achievement Award, prêmio pelo conjunto da obra dado aos artistas jamaicanos de maior destaque. Em 2003 outra láurea importante, o Grammy, o mais importante prêmio da indústria fonográfica mundial, pelo álbum "Jamaican ET" .
Tendo em vista tantos nomes de peso da cena jamaicana que se foram nos últimos anos, pode-se dizer que Perry é um sobrevivente, para a sorte de quem puder encontrá-lo frente a frente em uma de suas loucas apresentações.
Fonte: Dread Times (Páginas Terra)

7 de abril de 2008

BIOGRAFIA - LEE PERRY (Parte I)

O "SALVADOR DALI" DO REGGAE
O músico, produtor, vocalista e poeta Lee Perry, alcunha de Rainford Hugh Perry, nascido em 1936 no vilarejo de Kendal, no interior da Jamaica, é um dos gigantes da música e sua história está diretamente ligada ao desenvolvimento dos principais estilos da sonoridade jamaicana.

Perry iniciou a carreira no final dos anos 50 quando foi trabalhar no Studio One de Coxsone Dodd, lendário produtor que, no início dos anos 60, comandou as gravações das primeiras canções de reggae. Em meados da década de 60, ele era um misto de mensageiro, técnico de som, compositor, deejay, segurança e também vocalista, mostrando todo seu ecletismo e criatividade.

Após brigar com Dodd depois de 7 anos de trabalho juntos, Perry foi trabalhar com outro produtor, este com bastante dinheiro, Joe Gibbs. Perry passou a comandar o selo de Gibbs, conseguindo alguns hits com suas produções, entre elas uma música onde fazia acusações diretas ao seu ex-patrão, dando mostras do seu gênio terrível e da sua forte personalidade. Não se entendendo com Gibbs, resolveu criar seu próprio selo, Upsetter. Ali Perry recrutou alguns músicos e montou uma banda de estúdio: The Upsetters.

Criado em 1968, The Upsetters incluia os irmãos Family Man e Carlton Barret no baixo/bateria, o guitarrista Alva Lewis, o tecladista Glen Adams e Max Romeo nos vocais. Em 1969 Perry emplacou um reggae instrumental na Inglaterra inspirado nos faroestes europeus estrelados por Franco Nero e Clint Eastwood: "Return of Django", o que rendeu seis semanas de shows dos Upsetters em solo britânico. Foi justamente nessa época que os caminhos de Lee Perry se cruzaram com os de Bob Marley, em termos profissionais, visto que eles já se conheciam dos tempos do ska, tendo ambos trabalhado com Coxsone no Studio One. Os dois gravaram algumas canções que marcariam depois a carreira de Marley como "Kaya".

As coisas estavam mudando na emergente cena reggae jamaicana, por causa do aparecimento de novos selos e produtores independentes, como Perry, que punham em xeque o reinado dos dois maiores produtores até então, Coxsone e Duke Reid. Os Wailers (Bob Marley, Peter Tosh e Bunny Wailer), que estavam sem produtor depois de terem feito sucesso e brigado com Coxsone, acabaram topando com Lee Perry.

Entre 1969 e 1970 as coisas funcionaram bem, mas em 1971 a ligação entre Lee Perry e os Wailers originais desandou. Tratando-se de personalidades fortes, foi até natural o rompimento da relação de amor e ódio que se estabeleceu entre eles, em meio à acusações mútuas. Apesar disso Perry trabalharia com Marley esporadicamente ao longo dos anos subseqüentes, como na gravação do importante compacto "Jah Live" e na concepção do álbum "Rastaman Vibration", além de outras produções que só agora vieram à tona, como a bela "I know a Place".

Com o fim da revolucionária parceria com os Wailers, Lee 'Scratch' Perry começou a construir um estúdio nos fundos de sua casa que viria a se chamar Black Ark, que ficou de pé de 73 à 79, sendo um pólo na nata musical jamaicana. A partir de instrumentos eletrônicos precários, Perry colocava efeitos como eco e linhas de baixo graves em canções de reggae, dando a forma do que é conhecido hoje como Dub. É dele o importante disco "Blackboard Jungle Dub".

A Black Ark foi uma potente usina musical, sob o comando de seu tresloucado construtor/comandante. O som do Scratch e de sua confraria marcou época com produções inovadoras e à frente do seu tempo.

Fontes:

You and me on a Jamboree, Dread Times (Massive Reggae)

27 de março de 2008

BIOGRAFIA - DON DRUMMOND

THE COSMIC TROMBONE
Também conhecido como "Don Cosmic" nasceu em 1943 na capital jamaicana e assim como muitos outros jovens da periferia de Kingston estudou música na Alpha Boys School (que formou muitos dos grandes nomes da música jamaicana na época).
Em 1954 foi escolhido como melhor trombonista da escola e em 1955 começou a tocar com Tommy Mc Cook e Roland Alphonso. Recebeu ainda suporte de Clement "Coxsone" Dodd, que tocava trechos seus em suas sound systems.
Don Drummond havia passado por muitos hospitais psiquiatricos e nem sequer tinha um trombone, mas Coxsone estava muito impressionado com seus solos e sessões de trombone. Assim, em 1956 ele grava seu primeiro disco, chamado "On The Beach" com Owen Grey nos vocais. Em 1962 Chris Blackwell começou a relançar gravações jamaicanas na Inglaterra e muitas das composições de Don Drummond só viram a luz do dia pelas mãos dos selos Island e Black Swan.
Don Drummond gravou mais de 300 músicas antes de morrer com apenas 27 anos. Em 1964, sob supervisão de Coxsone, o tecladista e diretor musical Jackie Mittoo começou a contratar os melhores músicos da Jamaica para criar um som que dominaria a cena musical local nos anos que se seguiriam. As sementes do The Skatalites eram Jackie Mittoo ao lado de Johnny Moore no trompete e Lloyd Knibbs na bateria. Depois que o guitarrista Lynn Taitt e o saxofonista Tommy McCook decidiram entrar na banda, Don Drummond se tornou pelas mãos de Jackie Mittoo o mais influente compositor e músico na banda. Em seu primeiro disco solo, "Don Cosmic" lançou as seguintes músicas "Confuscious", "Ringo", "Treasure Isle", "Eastern Standard Time", "Heavenless", "Occupation", "Meloncolly Baby", "Snowboy", "Elevation Rock", "Schooling the Duke", "Valley Princess", "The Reburial of Marcus Garvey", "Addis Ababa", "African Beat" e "Further East".Em 1964, "Man in the Street" entrou para o UK Top 10 e mais tarde em 1967, a adaptação de Don Drummond para o tema do filme "Guns of Navarone" rendeu a ele o seu segundo UK Top 10.


Don Drummond não era só um gênio. Seu prestígio com os outros músicos começou como um sonho e se tornou uma história de esperança para qualquer garoto dos guetos que tocava música.

Isso porém começou a trazer stress e problemas para Don Drummond. A pressão da fama junto a sua saúde mental que piorava cada vez mais seria uma bomba para a carreira do músico. Em 1965 foi achado o corpo de Anita Mahfood e Don Drummond preso como autor do homicídio. Após condenação e exames foi mandado para o asilo BelleVue onde morreu em 1969, mas a história não termina aí. O baterista Hugh Malcolm rasgou o atestado de óbito do serviço funerário, se recusando a acreditar na história oficial.

Assim como muitos na Jamaica, Malcolm acha que a morte de Don Drummond não foi suicídio. A teoria é que Don Drummond apanhou até sua morte, espancado por guardas, com o aval do governo que era contra a cena musical de West Kingston por anos e contra o crescimento da cultura rasta. Outra teoria inclui a contratação de gangsters por parte do pai de Mahfood.

A história não é simples, são um conjunto de teorias que tentam desvendar esse caso, mas a verdade é que Don Drummond era um homem doente e juntamente com a pressão da fama vivia sua vida no fio da navalha. A história da sua vida e música é a típica história do gênio que termina em tragédia.

Para terminar, as palavras de um homem que conheceu e trabalhou com Don Drummond, o grande Tommy McCook, sobre o início do The Skatalites:"O line up incluía Don Drummond. Ele era realmente fantástico tanto como compositor como instrumentista. Não tinha truques. Ele simplesmente pegava qualquer base de ska e transformava aquilo em diamantes."

fontes:

You & Me on a Jamboree

12 de março de 2008

BIOGRAFIA - LAUREL AITKEN

THE GODFATHER OF SKA

É impossível falar de música jamaicana sem falar de Laurel Aitken. Mento, Calypso, Jazz, Boogle, R&B, Ska, Bluebeat, Reggae, Rocksteady, Skinhead Reggae, Roots, Deejay, Toasting, Lovers Rock... Pode ter certeza que se procurar você vai achar uma canção para cada ritmo e todas interpretadas pelo mesmo artista: Laurel Aitken.
Nascido em Cuba, em 1927, Laurel Lorenzo Aitken, também conhecido como "The Godfather of Ska" (em alusão ao filme O Poderoso Chefão) ou "El Padrinho", imigrou para a Jamaica aos 8 anos, onde começou a cantar calypso e mento para os turistas, ainda criança. As suas primeiras gravações de calypso e R&B datam de 1952. Na época que o R&B estourou nos Estados Unidos, nascia o ska na Jamaica e Laurel Aitken foi um dos primeiros a interpretar e gravar o ritmo.
Assim como os The Skatalites e vários grandes nomes da música jamaicana, o "padrinho" também estudou na Alpha Boys School... Nos anos 60 começou a fazer rocksteady ainda na Jamaica, e no final dessa década se mudou pra Inglaterra, fazendo fama na capital inglesa e se tornando um dos maiores nomes do reggae bem na época em que o ritmo havia estourado na terra da rainha. Teve ainda canções suas editadas por Prince Buster, Duke Reid e outros...
Dentro do reggae teve uma pequena fase rastafari mas foi no skinhead reggae e no ska que obteve maior exito e maior numero de fãs. Há quem diga que ele atuava também fazendo toasting e sendo DJ sob o pseudônimo de Tiger, coisa desmentida pelo mesmo, que diz ser produtor do tal cantor. Produziu nomes como Winston Groovy, Prince Buster e outros. Na Inglaterra, além de trabalhar nos selos foi acompanhado pela banda The Rudies, que trazia nos trombones nada menos que Rico Rodriguez, onde encontrou uma audiência fiel que não poderia passar desapercebida: os skinheads, apaixonados pela música negra, adotaram para si mesmos temas como Woppi King, Jesse James ou Haile Selasie (um dos poucos temas rastafaris que cativaram aos skins).
Nos anos 70, quando o ska e o reggae decairam e o punk, o mod revival e a 2 Tone estouravam, ali estava o padrinho, colaborando com bandas como o Secret Affair e o The Ruts. Nos anos 80 e 90 fez turnê e deu suporte a várias bandas, entre elas The Busters, Malarians Ska Flames e Skarlatines. Passou por momentos ruins de saúde no fim de 2003, mas conseguiu voltar a cantar e fazer shows, pena que por pouco tempo, pois lamentavelmente faleceu no domingo, 17 de julho de 2005 de parada respiratória depois de alguns dias em Lancester, Inglaterra. Se foi mas deixou um dos maiores legados da música jamaicana, afinal, ser "El Padrino" não é para qualquer um.

Discografia:
1958 - "Roll Jordan Roll" single (Caribou/JA)
1959 - "Little Sheila" single (Island/JA)
1960 - "Bartender" single (Blue Beat/UK)
1963 - "Lion of Judah" (Black Swan/UK) "Bad Minded Woman" w/The Skatalites (Rio/UK)
1965 - "Sugar Sugar" single (Studio One), "It's Too Late" (Trojan/UK)
1969 - "Jesse James" (NU Beat/UK), "Skinhead Train" (NU Beat/UK)
1969 - "Rise & Fall" (Doctor Bird/UK), "Fire In My Wire" (Doctor Bird/UK)
1980 - "Rudi Got Married" ( I-Spy/Arista/UK)
1983 - "Sahara" (with The Potato 5) single (Gaz's Rockin' Records/UK)
1985 - "Sally Brown" & "Mad About You" singles (Gaz's Rockin' Records/UK)
1987 - "Floyd Lloyd and The Potato 5 Meet Laurel Aitken" CD/LP (Gaz's Rockin' Records/UK)
1988 - "True Fact" (with The Potato 5) LP (Rackit/UK)
1989 - "Skankin' Round the World, Volume 3" CD/LP (Unicorn/UK)
1989 - "Double Barrel Ska Explosion - London Int'l Ska Fest 2" Double LP (Unicorn/UK)
1990 - "Max The Dog Says...Do The Ska" Double LP (Phoenix City/UK)
1990 - "Skankin' Around The World, Volume 4" Compilation LP/CD (Unicorn/UK)
1990 - "Ringo The Gringo" CD/LP (Unicorn/UK)
1990 - "Two Knights of Ska" (with Derrick Morgan) LP (Unicorn/UK)
1990 - "Rise and Fall/It's Too Late" CD (Unicorn/UK)
1992 - "Rastaman Power" CS (ROIR)
1993 - "Godfather of Ska" CD (Gaz's Rockin' Records/UK)
1993 - "Long, Hot Summer" (with The Skatalites) LP (Unicorn/UK)
1993 - "Tougher Than Tough: The Story of Jamaican Music" CD Compilation (Island)
1995 - "The Blue Beat Years" CD (Moon Ska)
1995 - "The Story So Far" CD (Grover/Germany)
1996 - "Roots of Reggae: Ska" CD Compilation (Rhino)
1997 - "Woppi King" CD (Trybute/UK)
1997 - "Skankaholics Unanimous" Compilation (Moon Ska)
1997 - "Ska Island" CD Compilation (Island)*
1998 - "The Pama Years" CD/LP (Grover/Germany)
1998 - "The Long, Hot Summer" w/Skatalites CD/LP (Grover/Germany)
1999 - "Clash of Ska Titans" w/Skatalites CD (Moon Ska)

7 de março de 2008

BIOGRAFIA - DESMOND DEKKER

THE KING OF SKA
O mundo do reggae e também do ska amanheceu mais triste no dia 25/05/2006. Desmond Dekker, o primeiro cantor jamaicano a emplacar um hit de sucesso nas paradas britânicas, sofreu um ataque cardíaco na noite do dia anterior, em Surrey, sua residência na Inglaterra. Ele tinha 64 anos.
Desmond Adolphus Dacres nasceu em Kingston em 16 de julho de 1941 e junto com seu grupo, The Aces, alcançou o sucesso na Jamaica com a música "Israelites". Dekker perdeu os pais durante a adolescência e foi nessa época que começou a trabalhar como soldador. No trabalho, Desmond era encorajado pelos colegas a cantar e por esse motivo, no ano de 1961, resolveu participar de uma audição para o lendário Studio One, de Coxsone Dodd e para o Treasure Isle, de Duke Reid. Nenhum dos dois ficou impressionado com os talentos de Desmond, que resolveu tentar a sorte no selo de Leslie Kong junto com Derick Morgan. Com o apoio de Morgan, Dekker conseguiu ser contratado, mas não pode gravar até 1963, pois Leslie Kong estava esperando Desmond achar a música perfeita. E foi com a música "Honour Your Father And Mother" que isso aconteceu. A música se tornou sucesso e em seguida vieram "Sinners Come Home" e "Labour For Learning". Foi nessa época que Desmond trocou seu sobrenome de Dacres para Dekker. O hit que veio em seguida foi "King Of Ska", no qual ele contou com a ajuda dos Maytals nos backingvocals.
Com a música 007 (Shanty Town), Dekker tornou-se de vez um dos ícones para os rude boys jamaicanos e uma das figuras mais importantes da cena Mod britânica. No final dos anos 70, Desmond assinou com o Stiff Records, um selo punk ligado ao movimento Two Tone e lá permaneceu de 80 a 83. Ainda nos anos 80, Desmond assinou um contrato com a Trojan, que é hoje um dos principais selos ligados à música jamaicana e principalmente ao skinhead reggae, e teve muitos de seus álbuns relançados.
Desmond foi um dos pais e pioneiros do skinhead reggae e foi homenageado pelos Beatles na música "Ob-La-Di, Ob-La-Da".
Desmond continuava fazendo inúmeros shows pelo mundo, principalmente no circuito europeu, onde tinha uma grande turnê marcada para o verão de 2007. Sua morte pegou todos de surpresa, mas sua música permanecerá, para sempre, trazendo alegria para os rude boys de todo mundo. Dekker foi enterrado no Streatham Vale Cemetery, em Londres.
"I just write what I see and hear happen and I present that to the people if they weren’t there to let them know what was happening" – Desmond Dekker, 2002.
Discografia:

007 (Shanty Town) - 1967
Beverley's

Action! -1968
Beverley's/Produced by Leslie Kong

The Israelites - 1969
Beverley's/Produced by Leslie Kong

This Is Desmond Dekker - 1969
Trojan/Produced by Leslie Kong
You Can Get It If You Really Want - 1970
Trojan

Israelites - 1975
Cactus/Produced by Bruce Andhony, L. Kong
Black And Dekker - 1980
Stiff

Compass Point - 1981
Stiff/Produced by Robert Palmer

Officially Live And Rare - 1987
Trojan/

Music Like Dirt - 1992
Trojan

King Of Ska with the Specials - 1993
Trojan/Produced by Roger Lomas

Moving On - 1996
Trojan/Produced by Desmond Dekker & Delroy Williams

Halfway To Paradise - 1999
Trojan/Produced by Desmond Dekker

Live In London - 2003
Secret Rcds.

fonte: You & Me on a Jamboree